25 anos: Malembe-malembre

DEVAGAR SE CHEGA AO LONGE

Nos últimos 10 anos a Imagina tem, por diversas vezes, estado em diferentes locais de África, quer para participar em congressos, quer em ações de responsabilidade social, quer em reuniões bilaterais.
Já estivemos na Etiópia (2006), em Moçambique (2005, 2007 e 2014), no Gana (2007), em Marrocos (2011), em Angola (2009) e em Cabo Verde (2009).

Ministro da educação de Moçambique experimenta o Mobilis, Maputo, 2007

Ministro da educação de Moçambique experimenta o Mobilis, Maputo, 2007

Ao longo dos anos começámos lentamente a compreender o potencial e as contradições de um Continente tão promissor.

O cheiro quente da terra quando saímos do ar condicionado do avião transporta-nos para outra dimensão, outro tempo, outro ritmo.

Observámos os efeitos, por vezes contraditórios, da ação das ONGs, quando dão o peixe em vez de procurar em conjunto como encontrar boas formas de pescar (diferentes das nossas formas de pescar), e quando consomem muitos mais recursos do que aqueles que chegam efetivamente aos seus destinatários.

Desenvolvimento significa ajudar as pessoas a serem autónomas, dando-lhes o poder de gerir os seus próprios recursos de acordo com as suas necessidades, a sua visão e o seu potencial.

Deveríamos prestar mais atenção acerca de algumas das atuais soluções para África, que podem parecer-nos boas, mas que podem não ser assim tão boas para a África. Cada país africano possui dezenas de línguas e um mosaico multicultural tremendo. A tradução de conteúdos de eLearning feitos no Reino Unido, por exemplo, é, não só uma tarefa impossível de realizar, como também parece ser, de alguma forma, um verdadeiro disparate.

O que os aprendizes africanos verdadeiramente necessitam, na minha opinião, é de ferramentas e formação para que possam produzir e estruturar o próprio conhecimento. E nós precisamos de aprender com eles e respeitar a sua cultura e os seus valores. Eles não necessitam de seguir os padrões europeus.

Secundino Correia com um grupo de crianças em Adis Abeba, Etiópia, 2006

Secundino Correia com um grupo de crianças em Adis Abeba, Etiópia, 2006

As palavras-chave para nos ajudarmos a nós próprios e para ajudar a África são: parceria, empowerment, autonomia. São elas que deverão ser reflectidas em projetos de investigação conjuntos, no desenvolvimento de ferramentas adaptadas, na formação pelo fazer conjunto (e não apenas pelo ouvir).

A África, tudo indica, saltou a era do PC (computador pessoal) e mergulhou direto na era dos dispositivos móveis. Qualquer projeto de tecnologias para educação, a alfabetização e a inclusão deve ter em conta que, em África, a tecnologia dominante é o telemóvel ou celular. Este é já um bem de primeira necessidade em África, em áreas tão diferentes como: intervenção cívica, educação, cultura e entretenimento, socorro e gestão de catástrofes, agricultura, saúde e finanças.

Temos de nos tornar parceiros em pé de igualdade, aprendendo e descobrindo, em conjunto, soluções inovadoras para problemas diferentes e não tentando criar réplicas das nossas soluções (que nem para nós funcionaram muitas das vezes). Nós não temos a solução para os problemas de África; eles têm e, eventualmente, são parte da solução para os problemas que enfrentamos na Europa.




Colocado no dia: 8 Julho 2014 às 19:18

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Artigo escrito por: Secundino Correia

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